Transparência · Cartão de Pagamento da Presidência
Os dados ficaram sob sigilo até 2022 e foram desclassificados em janeiro de 2023. São 13.339 transações — do hotel de temporada à peixaria da esquina. Aqui está tudo, por categoria, região, fim de semana e feriado.
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O que é este dado
O Cartão de Pagamento da Presidência da República (CPGF/PR) funciona como um cartão de crédito do governo. Durante o mandato de Jair Bolsonaro (2019–2022), o detalhamento desses gastos foi classificado como sigiloso — e só foi liberado depois, em janeiro de 2023, pela Secretaria-Geral da Presidência.
Esta página parte da base oficial desclassificada (planilha de ~5,3 MB, 13.339 lançamentos). O total confere, ao centavo, com o número divulgado pelo governo: R$ 27.621.657,23.
Cartão de Pagamento da Presidência — Período: 01/01/2019 a 31/12/2022 · Fonte: Secretaria-Geral da Presidência (dados desclassificados, jan/2023) e Portal da Transparência · Cada linha traz data de pagamento, fornecedor, CNPJ, valor e a rubrica orçamentária.
Panorama
O gasto cresceu ano a ano até 2021 e recuou em 2022. Quase metade de tudo foi hospedagem; somada à alimentação, as duas rubricas passam de 85% do valor.
Onde o dinheiro foi parar
As 13.339 transações classificadas por tipo de estabelecimento (inferido do nome e do ramo do fornecedor) e pela rubrica oficial declarada em cada compra.
Por região
Unidade da Federação e município de cada fornecedor, obtidos pelo CNPJ na base da Receita Federal.
Os maiores fornecedores
Os 120 estabelecimentos que mais receberam. Ordene clicando nos títulos das colunas.
| # ↕ | Fornecedor ↕ | Tipo ↕ | Local ↕ | Transações ↕ | Total ↓ |
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Fins de semana e feriados
Recorte pela data de pagamento de cada fatura.
Como ler: o dado disponível é a data em que a despesa foi paga, não necessariamente a da compra — o que tende a concentrar registros em dias úteis. Mesmo assim, o volume pago em sábados, domingos e feriados é expressivo.
Para os feriados de maior gasto, o que estava documentado sobre a agenda e o paradeiro do então presidente — com links para as reportagens da época.
Pontos que chamam atenção
Registros isolados, concentrações incomuns e as maiores transações únicas. Todos os valores são reais e constam da base oficial.
| # | Data pgto. | Fornecedor | Rubrica | Valor |
|---|
Foram R$ em drogarias e produtos de saúde, em compras — redes como Raia Drogasil e Drogaria Rosário aparecem no topo.
Sobre "remédios específicos": a base pública identifica o estabelecimento e o valor, mas não a nota fiscal com os produtos. Não existe, nos dados oficiais, a lista de quais medicamentos foram comprados — por isso esta página não a apresenta. Divulgar itens específicos seria invenção.
Saques em dinheiro
Além das compras, o acervo desclassificado revela saques em dinheiro vivo feitos com os cartões. Diferentemente de uma compra, o saque não deixa rastro do que foi adquirido — o que levou o STF a investigar se funcionavam como uma "espécie de caixa dois".
Precisão: estes valores de saque não saem da planilha de compras que alimenta o resto desta página — eles foram documentados por reportagens a partir dos recibos do acervo e por inquérito no STF. A defesa de Jair Bolsonaro afirma que ele nunca utilizou o cartão corporativo e que 100% dos saques teriam origem em conta pessoal. Registramos as duas versões.
Fontes: Metrópoles (coluna Guilherme Amado) · Aos Fatos · Exame — todas linkadas na seção de fontes abaixo.
Metodologia e fontes
Base primária. Planilha de gastos do Cartão de Pagamento da Presidência (CPGF/PR) da gestão Bolsonaro, desclassificada pela Secretaria-Geral da Presidência (jan/2023) — 13.339 lançamentos com data de pagamento, portador, CNPJ/CPF e nome do fornecedor, valor e rubrica.
Enriquecimento. A UF e o município de cada fornecedor vêm da consulta do CNPJ à base da Receita Federal. O endereço é o de registro do estabelecimento (matriz/filial) e pode, em alguns casos, diferir do ponto exato da compra. Os tipos de estabelecimento foram inferidos do nome e do ramo (CNAE).
Limites. O total confere com o oficial: R$ 27.621.657,23. A base não contém notas fiscais itemizadas — não há lista de produtos ou medicamentos específicos. O recorte de fins de semana/feriados usa a data de pagamento. Fornecedores pessoa física e CNPJs incompletos ficam fora do corte regional.
Todos os valores derivam diretamente da base oficial desclassificada. Nada foi estimado, arredondado para efeito retórico ou inventado. Onde o dado público não existe (itens de nota fiscal), a página diz que não existe.